Imigrantes

homem a partirUma coisa tem me chamado muito a atenção em Curitiba:

A quantidade de imigrantes que aqui se instalam semanalmente.

Longe de qualquer preconceito, vou falar dos chineses, com quem tenho tido contato mais direto.

Tenho uma metalúrgica, e mensalmente sou procurado por clientes chineses que estão abrindo restaurantes populares no sistema de buffet.

Eles sempre chegam em grupos de 4 ou 5 pessoas, dos quais apenas um fala um pouco de portugues. Vem encomendar fogões especiais, bandejas em inox, coifas e demais utensílios.

O que me chama a atenção é a rapidez com que se instalam no país.

Antes de aprender algo do idioma e da cultura local, ja estão trabalhando e abrindo novos negócios.

Procuram sempre o menor preço, pagam em dinheiro, costumam fornecer material e pagar somente pela mão de obra, e sempre tem urgência. E assim que inauguram um, ja trazem mais parentes e conhecidos para recomeçar novamente.

Isso me faz pensar:

Como é fácil se instalar e trabalhar no Brasil.

Como são abertas nossas fronteiras.

Como é falho nosso controle sobre quem entra, quem sai, quem trabalha, quem fica para sempre…

Me pergunto:

Será que se voce, amigo internauta, desembarcar na China ou em qualquer outro país fora da América Latina, consegue entrar sem problemas no país?

Consegue trabalhar imediatamente sem ser importunado por nenhum órgão fiscalizador?

Consegue abrir seu proprio estabelecimento em meses?

Consegue não ter que se apresentar a autoridades de imigração?

Consegue ficar o quanto desejar,sem ter que casar por interesse, nem se naturalizar?

Não né! La fora as coisas são levadas a sério.

Não tenho nada contra imigrantes. Todos deveriam ter o previlégio de poder morar em outros países quando quisessem, trocar experiências, tentar a sorte. E aqui estou falando especificamente de pessoas que entram legalmente no país, que vem para trabalhar honestamente e sustentar suas famílias.

Mas sou sempre a favor da reciprocidade das coisas.

Devemos tratar como somos tratados.

Devemos impor leis, normas e restrições iguais às que nos são impostas. Ou exigir que nos dêem essa mesma liberdade em outros países.

Passaram-se décadas desde a criação da Praça da Alegria original, que virou o infame A Praça é Nossa. Mas a personagem interpretada pela Kate Lyra continua atual. É uma que falava com sotaque americano: “Brasileiro é tão bonzinho… “

Este post foi publicado em 28 de fevereiro de 2009 às 15:16 na categoria Opinião. Você pode acompanhar todas as respostas a este post assinando o feed RSS 2.0. You can leave a response, or trackback from your own site.

18comentário

TIGOS :
 1 

Somos descendentes de portugueses… fomos uma colonia de exploração… tem coisa pior?

O pior é que cada dia mais vejo países não querendo brasileiros lá! (principalmente na Europa)

Em 28 de fevereiro de 2009 às 15:49
madafoka :
 2 

E assim como os USA, já clamamos por imigrantes.
Meus avós vieram da Alemanha e Yogoslávia.Minha mãe nasceu na Alemanha.
Os tempos eram outros, e precisávamos de conhecimento, mão de obra especializada,e braços para a lavoura.
Hoje o mundo mudou. Não nos abrem as portas facilmente…

Em 28 de fevereiro de 2009 às 15:59
thanus :
 3 

é verdade o.o’

Em 28 de fevereiro de 2009 às 18:31
Corvus :
 4 

hehe.

O piá postou uma (quase) frase. Se conseguir ler um livro inteiro no ano, quem sabe, né?

Parabéns, bem-vindo a esse novo mundo.

Em 28 de fevereiro de 2009 às 22:07
HUgo :
 5 

Ae Mada, mais um passo na sua incursão no mundo dos nerds.
Daqui a pouco pode chamar a Julia p sair…
Parabéns!

Em 1 de março de 2009 às 20:55
 6 

Antes que eu esqueça, doutor, vai pro inferno.

Em 1 de março de 2009 às 22:05
corvus :
 7 

“Consegue abrir seu proprio estabelecimento em meses?”

Na Austrália são oito dias. OITO!
Nos EUA, parece que é coisa de 30. Com exceção de bares/restaurantes (locais onde se vende bebida alcóolica) a coisa também é muito rápida.

Meses? Só aqui, nesse lugar em que todo mundo cria dificuldades pra poder ‘vender’ facilidades…

ok, passou.

Em 1 de março de 2009 às 22:06
madafoka :
 8 

Mas eu to falando de estrangeiros,meu fio.
Voce, brasileiro, não vai chegar na Australia e abrir um restaurante em 8 dias.

Em 1 de março de 2009 às 22:09
corvus :
 9 

Se entrar legalmente, vai sim.
Ilegal é ilegal em qualquer lugar.
Bom, talvez, aqui, o ilegal (com o gosto que o nativo tem pelo ilícito) seja mais… legal que os outros!

Em 1 de março de 2009 às 22:53
 10 

Nem sei se a notícia ainda procede (por datar de 2004!), mas olha: http://www.sebrae-sc.com.br/noticias/default.asp?materia=8288

Se não há reciprocidade entre os países, que pelo menos o Brasil se preocupasse em desburocratizar a vida dos próprios filhos que querem abrir uma empresa, tal qual se preocupam em fazê-lo quando o indivíduo em questão é estrangeiro.
Por outro lado, essa é a forma que o Brasil tem de tentar garantir que, ao conseguir entrar no país, o gringo colabore com algo e não seja só um parasita, caso seu objetivo seja ficar por aqui.

[Aêeee, bem-vindo, Mada! :D ]

Em 1 de março de 2009 às 23:32
madafoka :
 11 

É disso que o Corvo ta falando.
Que é muito demorado e burocratico para nós abrirmos uma empresa no Brasil.
Que fabricam dificuldades para vender facilidades.
Com grana tem jeito pra tudo.
E pra estrangeiro com grana então…

Obrigado Stella.

Em 2 de março de 2009 às 9:02
Tiro :
 12 

Ae Mada, que nerdice!

Enfim…Em horas de bonança ou necessidade de mão de obra, todos são bem vindos, estrangeiros ou não.

Mesmo assim, um exemplo clássico é a mão-de-obra não especializda estrangeira que os EUA adoram pra limpar suas casas e pintar cercas. São “necessários” porque ninguém quer fazer isso lá e ao mesmo tempo são “meio-ilegais” pra evitar que prosperem e quando o bicho pegar poder juntar todos e deportar.

Mas isso é feito em outros setores e de várias formas veladas, seja em países ricos ou os ditos “emergentes…”

Na hora da crise, como já dizia Vovó-Tiro, farinha pouca meu pirão primeiro…

Em 2 de março de 2009 às 9:13
 13 

o texto é ok, mas os cometários estão SHOW DE BOLA! huahuahauhauah…

me rolei de rir com a interação entre Hugo e Julia ali.

valeu, o blog começou rock’n'roll, Mada!

Em 2 de março de 2009 às 11:23
dAnI :
 14 

Ai ai … marido blogueiro agora …
M E D O…

Ainda bem que os restaurantes são meia boca…se não olharmos a cozinha, claro…

Em 2 de março de 2009 às 20:27
Flavia Liv :
 15 

Faço das palavras do Pipo as minhas tb, mijei de rir aqui com os comentários! huauhahuhuahuahuauuahhuahua

Quanto ao assunto do texto, novidade que algo no Brasil é uma bagunça, né? Lá fora não vão voltar atrás e tratar a gente melhor, nós que temos que deixar de lamber a bunda de estrangeiros e tratá-los da mesma maneira.

Em 3 de março de 2009 às 10:58
MadaFoka :
 16 

E como lambem bunda de estrangeiro mesmo.
Acham mais importantes do que os conterrâneos.

Em 3 de março de 2009 às 11:25
MadaFoka :
 17 

Sumiu o comment do Melro e a minha resposta.
E não fui eu quem deletou.
Fantasmas??

Em 3 de março de 2009 às 11:26
dAnI :
 18 

Só sei que as pessoas que conheci que foram pra fora atrás de dinheiro fácil, voltaram e se foderam.
Um voltou sem nada, a não ser 50 kg a mais…e 4 ou 5 anos de dedicação, ou é burro ou sei lá.
Outro, foi com uma coisa mais garantida, e voltou com grana.
Comprou um carrão do ano e ficou faceiro, mas claro que não conseguiu arrumar aqui emprego pra ganhar mais que 1.500,00, então lá vem IPVA, gasolina, seguro, manutenção, seguro obrigatório, etc…e o carrão foi virando cada vez mais carrinho. Ou seja…Se fodeu tb.
Agora pra cá, quem vem de fora normalmente já tem dinheiro, e como sõa bem vindos, fica cada vez mais fácil fazer ele dar cria.

Em 3 de março de 2009 às 14:51

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