EI PIKACHU, VAI TOMAR NO * !

desenhosTenho pena das crianças de hoje em dia.

Não sei como começou essa onda de imbecilização da programação infantil, e nem como se permitiu que chegasse a esse ponto.

Quem é mais velho, vai se lembrar dos desenhos de antigamente: Os Flintstones, Os Jetsons, Johnny Quest , O Manda-Chuva , Zé Colmeia , Maguila o Gorila , Scoobie-Doo , Peter Potamus , Matraca-Trica e Fofoquinha , Lippy & Hardy . Wallye Gator , O Urso do Cabelo Duro , Barbapapas, Quarteto Fantástico, Pernalonga e sua turma , Pica-Pau, a Pantera Cor-de-Rosa (muda), Bat-Fino e Karatê, e tantos outros.

Todos esses desenhos, tinham em comum passar uma mensagem moral, do certo e do errado, e das relações familiares e sociais em geral. Ou seja: eram úteis, pois além de entreter, ensinavam valores às crianças, ao retratar situações do dia a dia.

Dois desenhos campeões nisso eram os Flintstones e os Jetsons: Ambos retratavam cenas do cotidiano, que acontecem com todos durante a vida toda. Maridos tentando jogar um boliche ou ir a uma convenção escondidos das esposas, filhos com problemas na escola ou  com os amigos, esposas tirando carteira de motorista, desentendimento entre vizinhos ou colegas de trabalho, marido que esqueceu do aniversário de casamento e sai desesperado atras de presente , empresa tentando espionar ou passar a perna no concorrente, e por aí vai.

Nunca esquecerei o Fred e o Barney tentando ir a uma Convenção dos Búfalos D’água na Cidade Frenética (Las Vegas), e o Dodó falante de estimação que ficava repetindo: “convenção, cidade frenética, búfalos d’água”.  Claro que tentaram se livrar do dodó, e claro que as esposas descobriram. Na classica cena do bolo gigante, em que saem streapers de dentro, saíram as esposas com rolo de macarrão na mão.
As soluções inventadas para os eletrodomésticos na idade da pedra eram o melhor: aspirador, intercomunicador, carro, chuveiro, ferro de passar. Até mesmo guindastes, aviões e escavadeiras: tudo feito com animais domesticados.

Ou o George Jetson , que foi diagnosticado por engano como doente terminal. Concordou em testar um colete a prova de tudo, se submeteu a levar tiros, golpes de motosserra, marteladas… Até descobrir que o médico se enganou e voltar a ser o covarde de sempre.
As máquinas, meios de transporte, e modo de viver do futuro, imaginado ha décadas atrás também era uma atração a parte.

O Manda-Chuva, dublado pelo Lima Duarte, que era tipo um malandro carioca, sempre tentando se dar bem e enganando o Guarda Belo. Apesar de malandro, era de coração bom e as vezes até se dava bem.

Resumindo: o certo, o bem, o “mocinho” sempre triunfavam.
Não se tentava suprimir o mal, os espertalhões, os trapaceiros. Ao contrário. Eles eram realçados, e mostrados em todos os lugares da sociedade, inclusive no nosso lar. Isso ensinava  a reconhecer essas situações, a lidar com elas, e mostrava que por não serem certas, sempre eram descobertas , combatidas e eliminadas.

Graças a Deus, não existia esse lixo que não sei que foi que inventou, de ser Politicamente Correto!
As coisas tinham o nome do que eram. Não era um absurdo uma frase do tipo: Ei, nanico, vou esmagar seu nariz!
Não tinha psicologo torrando o saco por um cartoon dar uma frigideirada na cara do outro.

E o que temos hoje?
Uma invasão de desenhos medíocres  japoneses.
É só raios, tiros, magias, robôs , e non-sense.
Sakura Card Captors, Pokemon , Dragonball , e sei la quantas dúzias mais.

E o pior: Estão estragando os personagens e  desenhos antigos!
Cascão tomando banho?
Cebolinha falando certo?
A Pantera falando, e com comportamento idiota?
Bolinha magro?
Monica teen e miguxa?

Gente, isso é a mais completa imbecilização dos personagens!
É muito melhor deixá-los no passado, e ter boas lembranças, do que fazer essa deturpação.

Só pra reforçar: tenho pena das nossas crianças.jetsons1

Este post foi publicado em 8 de julho de 2009 às 15:07 na categoria Opinião. Você pode acompanhar todas as respostas a este post assinando o feed RSS 2.0. You can leave a response, or trackback from your own site.

8comentário

Gabilan :
 1 

Fala, Barão!
Fico feliz que parte de uma breve conversa nossa o ajudou a ter a brilhante idéia deste post!
Ou você acha que não percebi de onde saiu aquele Barbapapas??? Hehehe

Mas realmente: desvirtuaram o mundo Toon!
Sai Shazam, entra Naruto. Sai Johnny Quest, entra Ben 10. Sai Speed Racer, entra Hot Wheels!!!
E ainda outro dia leio uma pessoa reclamar que é um absurdo a Record passar (e ter como top de audiência) o Pica-pau, um desenho violento e que só ensina coisa errada… ANH? WTF???
É… Bom é ver o seu filho emanando raios contra você durante o jantar, gritando em “japonês” algo como “Rakuximadaská”!!!

Mais uma vez, é satisfação ler um blog inteligente!
Já espero o próximo post, quem sabe um onde você desenterre nossos brinquedos e diversões (outra parte da nossa conversa), com presença obrigatória dos Kikos Marinhos!

Grande abraço, Barão!

Em 8 de julho de 2009 às 15:40
MadaFoka :
 2 

Verdade!
Tenho que fazer um post sobre as brincadeiras das antigas.
Mas vou dar um tempo, que isso ta parecendo papo de asilo.
:P

Em 8 de julho de 2009 às 15:53
Liv :
 3 

com certeza os desenhos de antigamente eram beemmm melhores! mas tem uns bonzinhos ainda, no discovery kids, mas para crianças pequenas, como a minha Liz… agora as crianças maiores estão ferradas com esse lixo que tem por ae. Era tudo mais legal mesmo sem essa parada de politicamente correto…

Em 8 de julho de 2009 às 16:38
Pipo :
 4 

de fato, da leva atual tem muito lixo, mas muito lixo mesmo. agora, um desenho q eu faço questão de assistir com as crianças quando passa é o Padrinhos Mágicos. de tão inteligente q é o humor, volta e meia as crianças nem sacam. muitas referências à cultura pop, eventos históricos e etc. num desenho com um humor bem nonsense.

de resto, fooooooooda-se!

Em 10 de julho de 2009 às 11:29
 5 

Às vezes fico pensando se nossos pais também achavam imbecis os desenhos que a gente assistia. :) Papa-léguas, Tom e Jerry, pica-pau não tinham lição de moral e era só pancaderia. Eu adorava esses desenhos mas qual foi a lição que eles passaram para nós? Ainda não sei… e crescemos muito bem (eu espero). Acho que existe e sempre existirá desenhos para todos os gostos. Sobre a lição de moral que os desenhos passavam, só uma coisa: era chato pra caralho. :P Eu detestava lição de moral no fim dos episódios, principalmente no final do He-man!

Concordo contigo que também não gosto dos desenhos japoneses de hoje. Concordo também que a graça estava em ser politicamente incorreto. Mas é que a gente, na época, tinha o National Kid, Changeman, Jaspion, etc… Hoje as crianças tem Naruto, Pokemon… DragonballZ (aliás, Dragonball é um dos desenhos que já se passava na TV japonesa na nossa época – anos 80).

As crianças de hoje tem que se contentar com os desenhos japoneses toscos. A gente se contentava com heróis japoneses toscos multicoloridos vestindo roupas de lycra e fazendo pose. C’est la vie.

Em 10 de julho de 2009 às 13:38
MadaFoka :
 6 

Edu:
Não se esqueça dos Incas Venuzianos do National Kid!
Na época parecia o máximo.
Esses dias vi um trecho. Não é que aparece o zíper nas costas de um do Incas !

Em 10 de julho de 2009 às 14:26
Eduardo Masuda :
 7 

Nossa… Não me atrevo a ver novamente esses seriados japoneses. Vou me sentir mal por saber que eu gostava dessas tosquices! Heheehe :P

Em 12 de julho de 2009 às 0:30
Alexandre Vaz :
 8 

Obviamente sempre trataremos qualquer coisa passada, uma vez que isso não mais entretém, como veículo de mediocridade, ou ainda discriminar conteúdos que não nos atrai.

Isso se aplica a qualquer questão, seja desenho, seja novela mexicana ou da globo, música ou tecnologia. sempre poremos como banal e ridículo qualquer coisa que foge às nossas expectativas de ocupação, agrado ou seja qual for a postura pessoal.

Em todos os desenhos japoneses (exceto hentais, lógico) há um aspecto moral ou de proximidade moral, mas sempre veiculado ao plano cultural de sua criação. A realidade brasuca, convenhamos, se embasa em todo aspecto ocidental vigente, logo séries da hana-barbera foram muito mais próximas de nossa cultura do que a discussão da sexualidade aplicada, por exemplo, em Ranma 1/2, a crítica existencial de Neon Genesis Evangellion ou ainda uma visão diferenciada sobre o espiritual de Mishishi.

Reconheça também que o mocinho, o bem não são pontos absolutos no mundo real: e isso é o que há de mais gratificante nas séries japonesas, o vilão pode ser qualquer um, basta simplesmente escolher o caminho errado para tentar fazer o que considera certo, e o caminho errado sempre se baseia em erradicar liberdade, implantar discórdia e motivar-se por egoísmo – isso bem explicitado, sem simplificações ou generalização, afinal de contas ninguém escolhe ser mal por simplesmente ser, mas por ideologias, idiossincrasias ou ainda por não ver opções por mera incapacidade de situar-se no momento, só seguir o rumo.

Dizer que só há lixo nos desenhos atuais é ser limitado e infelixível e uma mera justificativa apra tentar impor uma visão limitada como os que na nossa época diziam que Betty Boop, Gato Felix (o mudo, não o dublado) e Snoopy eram superiores aos Doug (o primeiro, não o da Disney), as Tartarugas Ninjas e Thunder Cats: o foco não era o mesmo, a ideologia dos criadores tampouco, portanto a comparação só se baseia no gosto e na orientação cultural do espectador, que outrora era um, hoje é outro, amanhã não será nenhum dos dois…

Vale também lembrar que muitos desenhos não eram nem são desenvolvidos para entretenimento: quem tem o poder absoluto aquisitivo eram os pais, não os filhos, logo se o desenho não entretém o pai, as vendas caem… embora curiosamente essa política tem se sustentado menos, com o acesso diferencial à empregabilidade: os adolescentes por conseguirem subempregos semi-legalizados e descartáveis possuem um poder de compra e consumo considerável, portanto a política dos quadrinhos, desenhos animados e filmes também mudou e isso é o que nos faz discutir essas questões…

ou seja, há uma gama muito maior para se discutir sob esse aspecto, não se iludir com num “no meu tempo”…

Em 26 de novembro de 2009 às 1:42

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