REDES SOCIAIS: LIGAÇÕES PERIGOSAS?
Em 14 de julho de 2009 | Por MadaFoka | Publicado em Opinião |
Não há como negar que as redes sociais vieram pra ficar.
Para o bem ou para o mal, já estão incorporadas no dia a dia das pessoas. E graças a tão falada inclusão digital, atingem todas a classes sociais e idades.
Não vou ser repetitivo, e abordar o que tanto ja se falou, sobre os “perigos da internet” , do tipo: sequestros, superexposição, roubo de dados e identidades, pedofilia, e tantos outros.
Quero abordar o foco principal de uma rede social, que é se relacionar, fazer amizades, trocar idéias, aproximar pessoas que não se conhecem.
Eu sempre me expressei nas redes sociais da mesma forma com que me expresso pessoalmente : falando o que penso, sendo sempre transparente, convidando pra minha casa, apresentando amigos e família, criticando, falando besteira, discutindo, apoiando. Resumindo, não é por não estar presente em carne e osso que vou me comportar diferente, ou representar algo que não sou e usar máscaras.
Esse comportamento me rendeu boas amizades ao longo do tempo. Tive oportunidade de sair do virtual, e conhecer pessoas de São Paulo, Porto Alegre , Curitiba e Londrina. A maioria veio do euPodo, o fórum em que fui moderador.
O fórum é um lugar perfeito para se conhecer as pessoas aos poucos.
Voce acompanha o raciocínio delas durante bastante tempo, discutindo vários assuntos, e descobre como elas lidam com diversas situações, do que gostam, o que não suportam, o que defendem, e do que fogem.
Em 3 anos de forum, deu pra acompanhar muita gente,e fazer alguns amigos que embora distantes, farão contato para sempre.
Teve muito quebra-pau, mas eu acho toda discussão válida. Adoro discutir com quem tem argumentos para uma boa “briga” . É assim que se evolui. Mas jamais fiz um inimigo nesse ambiente.
Por outro lado, em outras redes não me saí tão bem.
Eu detesto o Orkut. Deletei meu perfil diversas vezes. Mas se clicar desavisadamente em algum link que leve ao Orkut, pimba! Lá está ele novamente. É impossível excluir definitivamente um Orkut sem excluir o gmail associado a ele.
No Orkut o que vejo é muita fofoca, muita especulação da vida alheia, comunidades sem sentido algum, e uma mistura de gente de classes e culturas tão diferentes, que não se chega a lugar algum. Desse eu estou fora.
A bola da vez é o Twitter. Uma idéia genial.
É o msn em grupo. É o blog do minuto. É o Google personalizado. É o Orkut sem albuns e comunidades.
Virei fã. Postava o dia todo. Fiz muitas amizades em pouco tempo. Tudo parecia perfeito. Mas durou pouco.
Postar o dia todo é uma besteira. Se voce para de postar uns 3 dias, descobre que aquele hábito de twittar tudo o que faz é ridículo. Ninguem quer realmente saber o que estou comendo, fazendo, pensando, assistindo, o tempo todo.
Também acho um saco perfis que só twittam links e notícias o tempo todo.Tem gente que adora. É só ver os milhares de followers da polêmica Twittess.
Eu não gosto porque assino dezenas de Feeds RSS , e em todo canto vejo notícias. Só twitto links raramente, se achar muito interessante ou engraçado.
O que eu realmente gosto de fazer no Twitter, é o que muitos abominan: bater papo.
Uma conversa no msn é restrita. No twitter, nunca se sabe quantos vão interagir,e que rumo a prosa vai tomar.
Também é ótimo pedir informações sobre produtos, serviços, lugares e pessoas. É o search vivo!
Dividir alguma novidade, combinar balada, convidar pra conhecer sua cidade ou casa.
Tudo isso é o que realmente me importa numa rede social.
Claro que nem tudo é perfeito.
Nesse mundo frenético, em que as coisas acontecem tão rápido,coisas com que ainda não me acostumei:
Pessoas que te chamam rapidamente de amigo, grande amigo, e proclamam essa amizade aos quatro cantos, por uma frase mal interpretada, por uma twittada em que achem que a carapuça serviu, imediatamente viram “inimigos” ou desafetos.
São os perigos das relações atadas muito rapidamente.
Por mais que eu convide pra frequentar minha casa em poucos dias, demoro pra chamar de amigo.
Amizade sobrevive a criticas, a discussões, e a pontos de vista opostos. Essa é justamente a graça da amizade. Se for pra me relacionar com iguais, encho a casa de espelhos.
Aos que me seguem no Twitter: não esperem duzias de posts diários, nem centenas de links e notícias. Não esperem aprovação ilimitada e nem somente criticas desenfreadas.
Quero que o meu Twitter seja um portal para realizar o que o nome da coisa diz: uma Rede Social, que seja espelho do meu jeito de me relacionar com as pessoas.
E assim como no mundo real, não quero jamais fazer inimigos no virtual.
Tenho pena das crianças de hoje em dia.
Aos 44 anos, não quero me chamar de velho, mas também não sou mais um jovem.

